É comum entre empresários e executivos certa fascinação com a vida monástica. Tal fato parece ter se consolidado com os ideais proposto pela famosa Regra de São Bento apresentados num viés de liderança por James C. Hunter em seu “O monge e o executivo”
Recentemente, a revista alemã “Der Spiegel” publicou uma reportagem curiosa sobre o crecente número de empresários alemães que, estressados pela vida de negócios e desmotivados nas relações pessoais, procuram mosteiros para imergir na paz e no equilíbrio da atmosfera monástica.
Jan F., 37, jovem executivo da montadora DaimlerChrysler, por exemplo, entrou numa cela simples como que viajando no túnel do tempo: apenas uma cama pobre, uma mesa austera, uma simples cadeira e um livro de salmos. Ambiênte bem diferente dos luxuosos hotéis que costuma frequentar. Desligar o celular parecia ser o ato a ser tomado naquele momento.
Além dele, haviam outros 15 empresários. Em outros mosteiros um monge recolhe os celulares, ipads e netbooks na porta de entrada. Jan F. e seu grupo de executivos deixaram o intenso cotidiano de videoconferências e apresentações de PowerPoint durante sua experiência com a sabedoria dos monges. Foram nos mosteiros que eles encontraram transcendência espiritual, aquilo que sentiam falta, pois viviam estafados com as exarcebadas exigências do mundo dos negócios.
Michael T., disse que os jovens gerentes da DaimlerChrysler “estavam horrorizados pelo modo como seu estilo de vida estava transformando suas personalidades”. Agora toda sexta-feira, um grupo de empregados da Volkswagen dedica uma hora e meia para fazer sua meditação. “Parece que São Bento — comentou “Der Spiegel” — tem sua parte na montagem de um Golf nos nossos dias”.
E se o mundo nunca tivesse abandonado a sabedoria e a ordem, a força e o empuxe, a grande paz que emanava das abadias beneditinas, nosso progresso não teria sido mais autêntico? Talvez maior e melhor? Sem as neuroses, os desequilíbrios, os desesperos, a falta de rumo que muitos sofrem hoje? Ordem espiritual e ordem material estariam em feliz concórdia, seguindo o famoso ditado “Ora et labora” de São Bento, Patriarca dos monges do Ocidente.